O aumento no preço dos fertilizantes tem preocupado produtores rurais em todo o Brasil e já impacta diretamente o custo de produção no campo. O cenário é reflexo de fatores globais, como instabilidade geopolítica, aumento no custo de energia e dificuldades logísticas, que encarecem insumos essenciais para a agricultura.
Nos últimos meses, fertilizantes como a ureia — um dos mais utilizados nas lavouras — registraram altas expressivas, com variações que chegam a 35% e, em alguns períodos, até 50% em curto espaço de tempo. O movimento está diretamente ligado a conflitos internacionais, especialmente em regiões produtoras e exportadoras, além de restrições de mercado e aumento nos custos de transporte e produção.
Esse cenário impacta a chamada “relação de troca”, exigindo que o produtor produza mais para adquirir a mesma quantidade de insumos, reduzindo as margens e aumentando o risco da atividade.
Na manhã deste sábado (4), a reportagem da Nativa FM conversou com o produtor rural Vilamir Scapini, de Capinzal, que relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia. Segundo ele, o aumento dos fertilizantes, como adubo e ureia, tem sido expressivo e pesa diretamente no planejamento das lavouras.
Scapini destacou que, além do custo elevado dos insumos, a própria variação do clima também impacta diretamente na produção, tornando o cenário ainda mais desafiador. Conforme ele, essa combinação de fatores tem levado muitos produtores a repensarem a continuidade na atividade rural.
“Tem produtor que já começa a se perguntar se vale a pena seguir nas próximas safras”, afirmou.
De acordo com o produtor, há uma sensação crescente de endividamento, já que, para manter a produção, muitas vezes é necessário recorrer a financiamentos junto a bancos e cooperativas.
Com cerca de 30 anos de atuação no campo, dividindo as atividades entre agricultura e pecuária, Scapini afirma que já vivenciou períodos positivos, mas que o momento atual é considerado negativo. Ele chegou a incentivar o filho a dar continuidade na propriedade, mas admite que hoje não sabe se essa sucessão será mantida diante das dificuldades.
Outro ponto destacado é que os efeitos mais severos desse cenário não devem impactar de forma imediata a safra atual, mas sim as próximas. Isso porque muitos produtores ainda utilizam insumos adquiridos anteriormente, porém, com os novos preços, o custo de implantação das futuras lavouras tende a ser ainda mais elevado.
A alta dos fertilizantes, somada às incertezas climáticas e financeiras, reforça um cenário de alerta no campo, com reflexos que podem atingir toda a cadeia produtiva e, futuramente, o consumidor final.
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