Nesta quarta-feira (12) é lembrado o Dia Mundial do Glaucoma, data criada para conscientizar a população sobre a doença ocular considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Estimativas indicam que o problema atinge cerca de 4% das pessoas com mais de 40 anos. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, até 2040, mais de 111 milhões de pessoas devem conviver com o diagnóstico da doença em todo o planeta.
O glaucoma costuma evoluir de forma silenciosa e gradual. Na maioria dos casos, a perda da visão acontece lentamente e sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, Oswaldo Ferreira Moura Brasil, o glaucoma não tem uma única causa e está associado a diversos fatores de risco.
Segundo ele, pressão intraocular elevada, histórico familiar da doença, idade acima dos 40 ou 50 anos e miopia elevada estão entre as principais condições relacionadas ao surgimento do problema. O uso prolongado de medicamentos com corticoide também pode contribuir, assim como doenças como diabetes e hipertensão.
O especialista também destaca que determinados grupos apresentam maior predisposição para alguns tipos da doença. Pessoas afrodescendentes, por exemplo, têm maior risco de desenvolver o glaucoma de ângulo aberto, enquanto populações asiáticas apresentam maior incidência de glaucoma de ângulo fechado ou de pressão normal.
Diagnóstico precoce é essencial
Embora ainda não exista cura, o glaucoma pode ser controlado quando identificado precocemente. O diagnóstico é realizado por meio de avaliação clínica e da combinação de diferentes exames oftalmológicos.
Entre os principais estão a medição da pressão ocular, a análise do nervo óptico e exames como o fundo de olho. Também podem ser utilizados recursos como fotografia do disco óptico, tomografia de coerência óptica, que avalia as fibras nervosas do olho, além do campo visual computadorizado e da gonioscopia, exame que permite observar o ângulo da parte anterior do olho e identificar o tipo da doença.
Aumento da miopia pode elevar número de casos
Outro fator que tem chamado a atenção de especialistas é o crescimento global dos casos de miopia. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Vesssani, essa tendência, somada ao envelhecimento da população, pode contribuir para um aumento nos diagnósticos da doença nos próximos anos.
Estudos indicam que quanto maior o grau de miopia, maior também pode ser o risco de desenvolver glaucoma. Pacientes com mais de seis graus, por exemplo, podem apresentar probabilidade várias vezes maior em comparação com pessoas sem a condição.
Formas de tratamento
O tratamento varia de acordo com o tipo e a gravidade do glaucoma. Em muitos casos, a doença é controlada com o uso de colírios que reduzem a pressão intraocular. Também podem ser utilizados procedimentos a laser.
Em situações mais avançadas, pode ser necessária cirurgia em ambiente hospitalar. O procedimento cria um canal de drenagem no olho para ajudar a diminuir a pressão interna e preservar a visão do paciente.
Consultas regulares são a melhor prevenção
Como o glaucoma costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais, especialistas reforçam que a melhor forma de prevenção é manter consultas regulares com o oftalmologista, especialmente após os 40 anos.
Pessoas que possuem histórico familiar da doença ou qualquer alteração na visão devem procurar avaliação médica ainda mais cedo. O acompanhamento periódico aumenta significativamente as chances de diagnóstico precoce e de controle da doença.








