A idosa de 69 anos, acusada de mandar matar a companheira do ex-marido foi absolvida durante júri popular nesta sexta-feira, dia 27, em Chapecó. A sessão do Tribunal do Júri se estendeu das 8 horas até por volta de meia-noite, em um julgamento formado por sete juradas mulheres.
A acusada havia sido denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) como mandante de uma tentativa de homicídio cometida contra a atual companheira do seu ex-marido, em 3 de junho de 2019.
De acordo com o MPSC, a idosa teria encomendado a morte da vítima após não aceitar o fim do casamento. Antes disso, buscou os serviços de uma cartomante para tentar uma reconciliação, mas, sem sucesso, passou a planejar o assassinato da nova companheira do ex-marido.
Como o feitiço, que custou cerca de R$ 300 mil, não deu certo, a cartomante supostamente propôs o homicídio da atual companheira do homem. Um atirador teria sido contratado pelo marido da cartomante para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente.
O crime ocorreu durante à tarde, no Centro de Chapecó, quando o executor efetuou três disparos contra a vítima, que foi atingida na cabeça. A mulher sobreviveu, mas sofreu lesões graves e permanentes.
O júri
Pela manhã, foram ouvidas cinco testemunhas. O julgamento foi retomado com o interrogatório da ré, que se dispôs a responder somente as perguntas dos advogados de defesa e das juradas. Em seguida, a Promotoria de Justiça e os advogados de defesa debateram, com tempo de 1h30 para cada uma das partes.
Em seguida, a Promotoria de Justiça teve réplica com duração de 1 hora e a defesa tréplica por igual período. Por fim, o Conselho de Sentença absolveu a ré.
Fator determinante
Um fato novo apresentado pelos advogados de defesa da idosa foi considerado determinante para o resultado. No plenário do júri, eles apresentaram um vídeo em que a própria vítima afirmava que a acusada não teria sido mandante do atentado contra ela e solicitou que o conselho de sentença a absolvesse.
Para os promotores que atuaram no júri, “apesar de ter provas a respeito da participação da ré no crime, a acusação restou enfraquecida na medida que a própria vítima dos disparos de arma de fogo compareceu aos autos e pediu a absolvição da ré.”
Outros envolvidos já julgados
O homem que efetuou os disparos já foi julgado e condenado ainda em novembro de 2021 à pena de 15 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado. Já o marido da cartomante recebeu pena de 12 anos de prisão no dia 12 de maio de 2022, por tentativa de homicídio duplamente qualificada.
Na mesma sessão, a cartomante foi condenada a 4 anos de prisão, em regime aberto, por extorsão contra a cliente que encomendou o crime, mas acabou absolvida da acusação de tentativa de homicídio. O MPSC recorreu, e o Tribunal de Justiça anulou a sentença, determinando que ela seja julgada novamente.








