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“Meu pai sempre foi uma pessoa difícil de lidar”, diz filha de Claudia e Valdemir durante julgamento

Gabriela Tavares Hoeckler contou detalhes sobre a convivência com os pais

Cleber Luiz por Cleber Luiz
28 de agosto de 2025 - 22:41
em Justiça
Foto: Oeste Mais

Foto: Oeste Mais


“Eu e minha mãe morávamos juntas e esporadicamente meu pai vinha visitar nós”, foi com essa frase que Gabriela Cristina Tavares Hoeckler, de 25 anos, filha comum entre Valdemir e Claudia, iniciou o depoimento no júri popular que acontece desde a manhã desta quinta-feira, dia 28, na Câmara de Vereadores de Capinzal.

“Meu pai me levou pra apresentar a família dele: a mulher dele e meus três irmãos”, contou Gabriela “Era muito confuso, isso nunca foi explicado pra mim”, disse.

Conforme a filha, Valdemir se mudou para morar com Gabriela e Claudia quando a menina tinha 7 anos.

“O ambiente da nossa casa, que era muito tranquilo, acabou virando um ringue, porque tinha muita briga […] essas foram coisas que me marcaram muito”, relatou Gabriela sobre as mudanças na casa após o pai começar a morar com elas, em Concórdia.

“A gente fugia dele”, contou a filha ao falar sobre o que acontecia quando a mãe apanhava do pai.

Gabriela relata que Valdemir não as deixava em paz, mas sempre se “fazia de desentendido”, e dizia que Claudia era louca e não sabia o motivo dela sair de casa.

De acordo com a filha, Valdemir trazia mercadorias e diversos itens do Paraguai. Quando era apreendido, pagava fiança e era liberado, mas chegou um momento em que não era mais possível pagar para sair. Com isso, segundo Gabriela, o pai começou a exigir que a mãe fizesse as viagens para o país. Isso aconteceu até o momento em que os dois foram presos, juntos, em 2010, por contrabando de cigarros.

Nesse período, Gabriela ficou aos cuidados da avó materna e depois com a amiga de Claudia, Raquel Chaves, por cerca de quatro meses.

Mudança para Lacerdópolis

Aos 10 anos, Gabriela conta que ainda não havia sido registrada pelo pai. “Eu queria muito ter o sobrenome dele […] aí de tanto eu perguntar ele registrou”, diz. O registro aconteceu quando a família se mudou para o interior de Lacerdópolis.

Inicialmente, Gabriela conta que ela e os pais foram morar na mesma casa que os avós paternos.

“Eu e minha mãe nunca tínhamos morado no interior […] Foram compradas vacas de leite pra gente viver disso”, contou.

Dificuldades

“Meu pai sempre foi uma pessoa difícil de lidar, uma pessoa difícil de agradar também […] se algo saia como fora do que ele esperava, ele já se estressava”, diz Gabriela ao relatar as reclamações de Valdemir sobre o trabalho que ela e a mãe faziam na propriedade.

Estressado, o pai xingava, falava, gritava e batia na mesa, conforme a filha. “Ele justificava dizendo que estava nervoso”, desabafa Gabriela.

“Era incrível, o leite não descia”, disse a filha sobre quando o pai fazia os serviços de ordenha na propriedade.

Depois de uma briga feia entre os pais, Gabriela, aos 12 anos, conta que saiu “fugida” com a mãe em busca de abrigo na casa de uma amiga, que orientou Claudia a registrar um boletim de ocorrência.

No entanto, conforme a filha, no caminho para a delegacia, a motocicleta que Valdemir utilizava passou pelo carro que elas estavam, o que fez a mãe mudar de ideia. Gabriela disse que nunca presenciou agressões físicas do pai contra a mãe. “Somente verbais”, disse.

A filha conta que o pai ameaçou a mãe dizendo que iria acusar Claudia de furto de veículo se elas não voltassem para casa, o que fez as duas retornarem. “Foi a última vez que a gente fugiu dele”, disse.

“Sempre me senti rejeitada pelo meu pai”, desabafou Gabriela, contando que o pai não fazia nada dentro de casa. “Nunca houve divisão de tarefas”.

Aos 14 anos, a filha conseguiu arrumar um emprego em uma granja de ovos próxima de onde morava. “Meu pai também não queria isso”, conta. Gabriela disse que recebia o salário, entregava o dinheiro ao pai e ele depositava em uma conta conjunta entre os dois. Em certo dia, já com 16 anos, a filha foi fazer o depósito sozinha e percebeu que não havia nenhum valor na conta.

Afastamento e saia cortada

Questionada sobre o afastamento e uma suposta briga com o pai, a filha conta que os fatos ocorreram ao sair para um café colonial.

“Eu tinha comprado um look pra esse dia […] Não era uma minissaia, era uma saia até o joelho […] Quando eu sai com a roupa, ele disse: você não vai assim […] disse pra minha mãe que eu tava vestida igual uma vagabunda”, desafaba.

Mas nesse dia, Gabriela conta que enfrentou o pai e disse que iria com a roupa porque estava saindo junto com a família. Já no meio do evento, Valdemir saiu para ir ao banheiro e foi para casa sem avisar, deixando mãe e filha a pé, sozinhas no café colonial. No dia seguinte, conforme o relato, o pai pegou uma tesoura e a saia que Gabriela havia usado e cortou inteira.

“Ele dizia que era pra eu aprender a não confrontar mais ele”, fala. “Depois disso, a gente não se falou mais […] mesmo estando dentro de casa, a gente não ficava no mesmo cômodo […] nem bom dia, nem feliz natal, nada.”

Com o episódio, Gabriela diz que começou a se sentir um “estorvo” dentro da casa, e começou a pensar em sair da residência dos pais.

Quando completou 18 anos, a filha disse que uma briga entre os pais foi a gota d’água para que ela pensasse em sair de casa e levasse a mãe junto. “Só que dessa vez a gente não volta”, teria dito Gabriela. A mudança, no entanto, durou uma noite, já que Valdemir, segundo relato, insistiu muito e fez com que Claudia voltasse para casa.

A filha não conseguiu convencer a mãe a ficar e o pai ainda ligou dizendo que a filha estava “querendo separar um casal que se ama”, de acordo com o relato.

Ajuda financeira e casamento dos pais

Quando começou a faculdade de farmácia, Gabriela diz que recebeu ajuda financeira da mãe por seis meses, mas o pai achava que Claudia estava roubando dinheiro dele.

Gabriela conta que soube sobre o casamento através dos patrões da granja onde trabalhava na época e ficou muito brava com Claudia. Ao perguntar para mãe, a filha disse que a resposta foi sobre a união de rendas entre os dois para a compra de um terreno.

Crime

Conforme Gabriela, ao saber sobre o desaparecimento do pai pelo irmão Mateus, ela confrontou a mãe, que confirmou a história de que Valdemir havia sumido. A mãe não contou sobre o crime e Gabriela só soube de tudo quando a entrevista de Claudia ao canal de Beto Ribeiro foi ao ar. Só no domingo, dia 20 de novembro de 2022, seis dias depois da morte, Claudia ligou e disse para a filha que iria se entregar.

“Eu só perguntava como e porque [do crime] aí ela me explicou tudo como no vídeo e disse que ou era ele ou era ela”, conta.

Gabriela diz que sempre foi empática e entendia os sentimentos de perda dos irmãos. No entanto, começou a pensar se a situação fosse de forma contrária, e Valdemir tivesse assassinado Claudia.

O depoimento da filha iniciou às 20h30 e durou mais de 1h30. O MPSC resolveu não fazer nenhum questionamento para Gabriela e o depoimento encerrou às 22 horas.

 

 

 

Fonte: Oeste Mais
Tags: juripopularjusticampsc capinzalsc

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